ROMANCE DA RAINHA SANTA ISABEL
Peço graça com fervor Do divino Manuel, Para que haja de rezar Da rainha sauta Isabel :
Em Saragoç^i nascida, Segundo a ora<;ao diz.
Foi rainha mui querida, Mulher d'elrey Don Diniz ; Aos pobres soccorria Corn enîranhas do coraçâo ; Pois de ninguem se fiava, Sua esmola apresentava Corn a sua propria mâo.
Vindo a < santa i um dia, Corn seu regaço occupado, Pcio thfsouro que havia^ Com elrey eis eticonlrada ! • Que levais ahi, Senhora?
— Lcvo cravos c mais rosas, Para mais nossa alegria.
— Bcm sei que levais dinheiro,
« Segundo sois costumada ; « Antes que muito me cheira, < Rosas cm Janeiro,
• E' de maraviiha acha-las! • 2^ 5 A Senhora
0 seu regaço Ihe amostrou, Cravos e rosas achou, Um cheiro que admirava'.
• Oh! rainha excellente ! jo 10 c Meti thesouro podeis dar,
f Minha cor6a cmpenhar
« Porque ludo eslou contente {sic). »
Estando a « santa • um dia
Na sua sala sentada» j j
I ^ Chegou-lhe um pobre chagado {sic),
Se 0 podia arremediar ;
Ella Ihe disse
Com palavras de amor :
« Mandarci chamar o doutor, 40 20 t Que vos haja de curar.
— Senhora, se quertdes
I , Refere-se esta passagem ao mîlagre que se deu por essa occasiaO, conforme no-lo û\i a lenda em prosa mais detamadamente.
Z. CONSIGLIERI PEDROSO
« Ter 0 vosso coraç3o inflammado,
0 Deitai-me na vossa cama,
t Que eu serei remediado. » 4}
A Senhora
De pés e màos 0 lavou,
Na sua cama 0 deitou.
Um cavalleiro, que no paço
Havia encontrado, 50
A elrey tudo é contado (siq.
Vindo elrey muito agastado,
Com tençâo de a matar,
Contra a clemencia que usava ;
Na cama onde repoisava j {
Deitar um pobre chagado.
A senhora correo 0 cortinado,
Achou Jésus crucificado * !
Muito chorou 0 rei com elle
Dos milagres, que ella tinha obrado.
Eni Estremoz acabou ' Em Coimbra esta sepultada.
No convento que formou De santa Clara sagrada.
{Estremoz.)