O tangro-mangro
Minha mai teve dez filhos, Todos dez dentro de um pôte ; Deo-lhe 0 tangro-mangro nelles, Nâo ficâram senâo nove.
D'esses nove que ficâram, Foram amassar biscoito ; Deo-lhe 0 tangro mangro nelles, Nâo ficâram senâo oito.
D'esses oito que ficâram, Foram pentear o topele ; Deo-lhe 0 tangro-mangro nelles, Nâo ficâram senâo sete.
D'esses sete que ficâram, Foram esperar os reis ; Deo-lhe 0 tangro-mangro nelles, Nâo ficâram senâo seis.
20 (Lisboa.)
Bolinhôs, bolinhôs.
Para mim, e para v6s ; Para os vossos finados.
Que estâo enterrados Ao pé da bel la cruz.
Para sempre. Amen Jésus I
(Coimbra.) b.
Esta casa é bem alta, Forrada de papelâo, 0 senhor que môra nella, E' um grande capitâo.
Esta casa cheira a unto, Aqui morreo algum defunto 1 Esta casa cheira a breo, Aqui môra algum judeo !
(Coimbra.)
1 . E' aigu mas veses transformada em jogo, exactamente como as outras duas, retirando-se ou escondendo-se a mâo que é tocada pela pessoa que filla, ao diser o ultimo verso.
2. Para a significaçâo provavel d'esta parlenga, cf. Coelho, Romances populares e rimas etc. (Zcitschr. f. rom. Phil. Ill, 199), onde se le uma variante.
3. Falta 0 ultimo verso, em que dévia contar-se a sorte do derradeiro, mas a pessôa que me dictou isto nâo o sabia.
4. Em Coimbra em t dia de finados > andam os rapazes pedindo pelas portas, e cantando estes versos. Cf. Chants de qaétes etc. (Jiomania II, $9 ss.).
CONTRIBUIÇOES PARA UM ROMANCEIRO PORTUGUEZ
ENIGMAS POPULARES*.