Allusivo a superstiçâo
4. Ostcrwasur ; do orvaiho que cae na noute de Sâo Joâo, e ao quai na tradicçâo popuiar purtugueza se attribuem muitas virtudes.
CONTRIBUIÇOES PARA UM ROMANCEIRO PORTUGUEZ
in
PARLENGAS INFANTIS E JOGOS POPULARES.
Amanhâ ë domingo, Pé de caminho ; Salta 0 gallo no monte ; O monte é de ouro ; Salta no touro ; O touro é bravo, Marra no fidalgo ; O fidalgo é valente, Enterra toda a gente, Na cova de um dente ^ !
Amanhâ é domingo, Toca 0 sino ; O sino é de oiro, Toca no toiro ; O toiro é bravo, Toca no adro ; O adro é fino, Toca no sino ; O sino é valente, Toca em toda a gente !
Amanhâ é domingo, Cantara o pintasilgo ; Pintasilgo é derrabado, Nâo tem sella nem cavallo ; Tem s6 uma mulinha ceza, Que vai d'aqui a Castella, De Castella a Castellâo,
Buscar um moio de pâo, P'ra mim e mais p'ro meo câo.
0 meu câo nâo esta em caza, lo Esta debaixo do navio.
Dà-lhe 0 vento, dà-lhe o frio, Corre como um correpio ; Dà-lhe 0 vento, dà-lhe o soi, Ganta como um rouxinol. if
(Lisboa.)
Vassourinha, vassourinha, Vae varrer tua casinha Com a vassourinha d'elrei.
Pirinico, pirinico, Quem te deo tamanho bico ?
Ou de ouro ou de prata, Mette as mâos numa escura buraca.
(Lisboa.)
Sola, sapato,
Rei, rainha,
Vae ao mar
Buscar sardinha,
Para o filho \
Do juiz,
Que esta preso
Pelo nariz.
Os cavallos a correr,
As meninas a aprender, lo
Quai sera a mais bonita,
Que se ha-de ir esconder.
(Lisboa.)
1. Cf. Théophile Braga, Cantos populares do Archipelago Açoriano^ p. 177.
2. Foi-me dictado isto, como uma simples parlenga. Nalguns sitios, porém, é esta parlenga transformada em jogo da seguinte maneira : As creanças sentam-se, formando roda, com as mâos extendidas e abertas de palma para cima. Uma d'ellas vai dizendo os versos e correndo com a mâo fechada por cima das mâos das outras. Quando chega ao verso 4, começa a beliscar, e a mâo (|ue beiisca ao pronunciar 0 ultimo verso, retira-se para traz das costas. Depois continua na mesma ordem.
3. Cf. Coelho, Romances populares e rimas ^ etc. (Zeitschr. f. rom. Phil. ÏII, 1^6). Pôde ser transformada num jogo do mesroo modo que a anterior, com a differença de que se nâo belisca.
Romaniay X g
Z. CONSICLIERI PEDROSO
3 *. D'esses seis que ficannif
Foram depennar om pinto ; Deo-lhe o tangro-mangro nelles, Nâo ficâram senâo cinco. D'esses cinco que ficâram, Foram depennar um pato ; Deo-lhe o tangro-mangro nelles, Nâo fîcaram senâo quatre.
D'esses quatro que ficâram, Foram matar uma rez \ Deo-lhe o tangro-mangro nelles, Nâo ficaram senâo très.
D'esses très que ficaram, Foram pastar os bois ; Deo-lhe o tangro-mangro nelles, Nâo ficâram senâo dois.
D'esses dois que ficâram, Foram matar um perum {sic) ; Deo-lhe o tangro-mangro nelles, Nâo ficou senâo um *.
Um e dois, E argolinha, Finca o pé Na pampulhinha.
Oh ! rapaz Que jogo faz?
— Faço 0 jogo De capâo ; De capâo, Manoel Joâo, Conta bem, Que vinte sâo.
Se contar, E nâo errar, Vinte e quatro Has-de achar.
Diz à velha Do velhinho, Que esta coxinho De um dedinho.
(Lisboa.)